Antônio Carlos Zago e como se revela um covarde
A razão tem limite. Uma coisa é tê-la, a outra é exercê-la como instrumento de defesa ou de debate. Quando é usada de forma abusiva, esvazia-se. Deixa de ser razão. E, então, aquele que era o seu titular, torna-se um oportunista, transforma-se em um covarde.
É o caso do treinador Antônio Carlos Zago, do Coritiba. Em tese, tinha razão para se fazer uma censura aos jogadores, depois da goleada para o Grêmio por 5 a 1. No entanto, o que ele supõe ser a sua razão, perdeu-a por dois motivos: a crítica foi pública, ofensiva, e o mais grave, sob descontrole emocional. Zago foi um covarde.
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Primeiro: aproveitou-se de um estado de fragilidade pessoal e emocional dos jogadores, em um ambiente de depressão, como é o do vestiário de um time que sofre uma goleada por 5 a 1. Segundo: acusou de forma pública os jogadores da “falta de alma”. Essa expressão no futebol significa que o jogador é indiferente às suas obrigações, despreza e ignora os interesses do clube. Poderia até especular sobre a “alma” dos jogadores, mas deveria fazê-lo internamente. De público, constrangeu-os e humilhou-os perante à torcida e à própria sociedade.
Terceiro: ao transferir a responsabilidade integral para os jogadores e para a diretoria institucional, Zago mostrou que o caráter profissional não se dissocia do caráter da própria pessoa. Não há um ou outro. É um único. Quem não tem respeito no exercício da profissão, não o tem fora dele.
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O que pretende é não participar com a sua culpa específica da rotina de fracassos. Só que ela existe, é objetiva e grande. De memória curta, esquece que, quando foi contratado, afirmou que com esse grupo de jogadores era possível fugir do rebaixamento e com reforços ir à Sul Americana.
Quarto, o último: o mais grave é que Zago fez o papel da Coritiba SAF. Ao criticar os jogadores, quis isentar o novo patrão de responsabilidade pelas contratações. A prova é que o discurso do treinador foi avalizado publicamente por Artur Moraes, diretor de futebol, que se tornou o seu parceiro de covardia.
Zago é o exemplo de que um treinador não é só covarde quando ordena o time na retranca.